Uma carta sobre monstros ao pastor


Olá Pastor Lau, tudo bem?

Espero que sim. Antes de qualquer coisa, só queria deixar claro que sou um grande admirador seu, do seu ministério e da sua história de vida como cristão. Sua caminhada definitivamente me inspira todos os dias.
Cerca de duas semanas atrás aconteceu o congresso Geração em nossa igreja. Preciso dizer: Foi algo espetacular, dos que eu não via já há um tempo. Terminei o feriado renovado e em paz; Em paz com Deus, com o Espírito Santo e principalmente comigo mesmo.
Várias coisas ali chamaram a minha atenção e me fizeram pensar durante dias. Uma delas foi justamente a sua pregação na noite de abertura, na sexta: O Pastor abordou diversos tópicos bastante sensíveis a mim, dentre os quais eu destaco os valores dentro da igreja e os mitos na vida com Deus.
Devo dizer, no entanto, que algumas coisas me incomodaram, pastor. Em certo momento, por exemplo, ao falar justamente de valores e de como eles estão sendo invertidos na juventude, você usou um ícone da cultura pop atual como ilustração: um cartaz da Série Crepúsculo. Ao mostrar a imagem você criticava o fato de “um vampiro ser o bonzinho da história”. Pouco depois, ao falar sobre fatos relacionados à imoralidade, o pastor citou o “Espírito de Pombajira” e sua influência no pecado do crente.
Pastor, duas coisas apenas:
Vampiros são criaturas fantasiosas. Foram criadas e desenvolvidas pelo imaginário humano. Vampiros não existem. São meras criações da mente humana. Exatamente por isso, a mesma mente humana que o criou pode muito bem modifica-lo e moldá-lo, adaptando sua criação de acordo com a intenção de cada um. Assim, não existe nada demais no fato de um autor de histórias para meninas adolescentes retratar o vampiro como “o cara bonzinho da história” (aliás, se o pastor conhecesse o enredo deCrepúsculo saberia que é na verdade a respeito de um vampiro que escolhe não beber o sangue de humanos, mesmo que isso o leve à fraqueza e à solidão – uma analogia sincera à constante luta entre o cristão e o pecado).
Agora, sobre a Pombajira: Esta é uma divindade da Umbanda, derivada diretamente da mitologia africana. Mitologia, pastor. Um conjunto de mitos. Mi-tos. Assim como os vampiros, esta é só mais uma criação humana, um elemento do imaginário popular. Pombajira está para a mitologia africana assim como Zeus, Hermes e Afrodite estão para a mitologia grega e Júpiter, Mercúrio e Vênus estão para a mitologia romana. Isso se aplica também a outras entidades do tipo, como Exu e Iemanjá (alguns brasileiros, aliás, prestam cultos a esses nomes mais por tradição do que por uma crença precisa neles). Sendo assim, não vejo por que um personagem mitológico poderia me influenciar ao pecado.
Digo isso, pastor, para que você talvez pudesse, em seus momentos a frente da igreja, desviar um pouco a atenção destes monstros imaginários e passasse a olhar mais cuidadosamente para alguns outros monstros reais – esses sim, perigosos à igreja e ao ser humano: a descrença, a mentira, a hipocrisia, a violência, o desrespeito, a intolerância e, mais que qualquer um, a falta de amor.
Um forte abraço,
                                                                                                                                                                                                                                               Sua ovelha,Por Josué Orrico
via Nogs Blog – por Felipe Nogs

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