O Deus Inutil.


Ouvi essa expressão em um culto da Igreja Betesda, onde o pr. Ricardo Gondim nos desafiou a ver Deus de uma outra forma. Ele ainda disse: “você só amará a Deus de verdade quando ele lhe for inútil”.

Quando ouvi isso pensei: qual é a lógica religiosa dos dias atuais? “Creia em Deus e tudo lhe irá bem”. “Sirva a Deus e você será vencedor”. “Peça a Deus e ele lhe dará”. “Deus vai solucionar seus problemas”. “Deus vai te arrumar emprego” e por aí vai. E então pensei: se eu busco a Deus porque preciso dele, que amor é esse? Como posso dizer que amo uma pessoa com quem estou pelo fato de precisar dela? É, só posso dizer que amo alguém quando não dependo dela pra nada. Isso se aplica aos nossos relacionamentos entre amigos, em nosso namoro. Mas e quando o assunto é nosso relacionamento com Deus? Por que com Deus abrimos a exceção de buscá-lo apenas para pedir, pedir e pedir?

O que é idolatria? Concentrar a fé num objeto ou em algo que você crê que lhe dará o que você precisa. Assim são os santos da Igreja Católica: pessoas buscam entidades para conseguirem cura, gravidez, emprego e etc. E se substituirmos uma imagem de N. Sra Aparecida, por exemplo, pela figura de Deus e fizermos os mesmo pedidos? Nosso culto a Deus não passará de mera idolatria, e Deus será apenas um ídolo a mais, algo que você busca quando precisa de algo, uma forma de conseguir vantagem sobre os outros. Deus hoje em dia virou casamenteiro, curandeiro, agenciador de empregos, orientador de TCC e tudo mais que se possa imaginar. Deus e tudo, menos alguém para ser amado apenas pelo que ele é.

Vemos pessoas em igrejas nos mais diferentes lugares pedindo “mais de Deus”. Minha oração é diferente: quero menos de Deus. Quero dizer em minha oração que não preciso dEle. Sabe por que? No momento em que eu não precisar dele eu não terei motivos para buscá-lo, a não ser por amor, amor simples e puro em sua essência. Os ateus são pessoas que não precisam de Deus para nada, pois se viram sozinhos na vida com tudo, não precisam de uma moral religiosa para guiar a própria vida. Se não precisam dele, não tem o porquê buscá-lo. Na verdade, quando buscamos Deus apenas pelo que ele pode dar, agimos quase igual a quem não crê nele: só cremos porque teremos retorno em nossa crença. É esse o culto que prestamos a Ele?

Que nossa oração seja: “Deus, não preciso do senhor para nada, posso me virar sozinho no mundo, sei trabalhar e conquistar minhas coisas, sei estudar e ir além, sei tomar decisões, sei levar minha vida. Então não te peço para fazer nada por mim: só peço tua companhia. Como os discípulos no caminho de Emaús, que conversaram contigo sem saber que conversaram com o Messias e o convidaram para pousar em casa apenas pelo prazer de desfrutar da companhia de uma pessoa desconhecida mas agradável, faça morada no meu coração, apenas porque quero estar perto de Ti, ouvir de Ti e aprender de Ti. Amém”.

Será que é muito difícil fazer uma oração dessas?

Wesley Talaveira
Publicitário e blogueiro

por Solomon

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